O empreendedor mineiro Cassius Silva foi criado em contato com a natureza, viajando sempre para a fazenda da família no interior do estado. Por indicação do pai, que apostava que o curso de Gestão Ambiental seria a porta para o futuro, formou-se na área. Quase duas décadas depois, com uma agência de ecoturismo e uma empresa de moda sustentável no currículo, e um investimento de R$ 1,6 milhão, Silva lança a Denovo, marca de tênis sustentáveis produzidos a partir de garrafas PET recicladas.
O flerte do empreendedor com a
moda começou ainda na faculdade, em 2004, quando criou a Greenco, marca que
trabalhava com peças sustentáveis, junto a um colega, como Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC). “Foi muito duro no início porque o mercado e os
comerciantes não entendiam. A aderência foi muito baixa no começo”, relembra
Silva. No início dos anos 2000, ele lembra, o mercado era muito diferente para
produtos sustentáveis e orgânicos. Nas palavras do próprio empreendedor, tudo o
que era “verde” era considerado "ideia de hippie" e visto como
artesanal.
O empresário seguiu se dedicando à Greenco até a chegada da pandemia, no ano passado. Para ele, a crise sanitária que impactou o mundo serviu como um estalo para ir atrás do seu propósito, que acabou abafado na empresa. “O que eu projetava de filosofia de negócios não tinha mais sinergia com a Greenco. Me desliguei e foquei as energias em algo novo, queria aplicar meu conhecimento em uma nova marca que tivesse a proposta que eu acreditava”, conta o empreendedor. Era o embrião da Denovo.
Silva então se isolou com os filhos no sítio da família em São Bartolomeu, distrito do município de Ouro Preto, por oito meses, onde passava os dias plantando, colhendo e pensando no novo projeto. “Com a mão calejada de trabalhar na roça o dia inteiro, eu tomava uma cachacinha, abria o laptop e ficava até a madrugada pensando no projeto, pincelando as ideias. Repensei o que eu queria para a minha vida”, afirma.
De acordo com Silva, a empresa
investe mensalmente em créditos para neutralizar as emissões de carbono,
amortizando 100% do que é emitido durante a produção dos pares. No próximo ano,
o objetivo é compensar toda a pegada de carbono que os produtos emitem em seu
ciclo de vida.
Ambicioso, o empreendedor já traça planos de internacionalização das operações e estima a chegada ao mercado norte-americano em maio de 2022, com expansão para a Europa no segundo semestre.
Fonte: PEGN.

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